a trilogia das cores

O diretor polonês Krzysztof Kieślowski investiga em sua Trilogia das Cores a relação dos ideais de “Liberdade, Igualdade e Fraternidade” com a sociedade. Além de lema da Revolução Francesa, a máxima também é uma das inspirações para as cores da bandeira do país. Qual será a atual relação da sociedade com essas palavras e, por consequência, com essas cores?

Convidado a fazer um filme que prestasse dupla homenagem, tanto ao bicentenário da Revolução Francesa quanto ao momento político europeu de então (a comemoração da unificação da Europa), Krzysztof Kieslowski teve a ideia de transportar os três lemas da bandeira francesa para década de 90 e formular a seguinte questão: como estão estes valores no mundo de hoje? Como anda a liberdade, a igualdade e a fraternidade na Europa e no mundo hoje?

A trilogia fala de amor e perda. Com locações em Paris, Varsóvia e Genebra e indo da tragédia à comédia, os filmes examinam com clareza artística um grupo de pessoas (predominantemente mulheres) que, além de estarem ambiguamente interconectadas, passam por momentos de profunda disrupção pessoal.

Tomando como ponto de partida uma tragédia, A Liberdade é Azul nos mostra a protagonista Julie (Juliette Binoche) tentando reunir os cacos que sobraram de si após perder o marido e a filha. Depois do desastre, a personagem decide-se livrar de tudo que lhe prende ao passado, porém, percebe certos limites. Eis o nó do roteiro, aquela liberdade utópica é possível?

A Liberdade é Azul (1993)

Em A Igualdade é Branca, o protagonista Carol (Zbiniew Zamachowski) é um polonês que, apesar de ser casado com uma francesa, Dominique (Julie Delpy), não domina seu idioma. Apaixonadíssimo pela mulher, Carol é surpreendido com um pedido de divórcio e um julgamento no qual passa o tempo inteiro sem poder se comunicar, por não dominar o francês. O filme já dá o tom de comédia logo de cara; como um estrangeiro é julgado, obrigado a assinar uma separação sem sequer falar a língua nativa, sem um intérprete, onde reside a igualdade na sociedade?

A Igualdade é Branca (1994)

O último filme da trilogia conta a história de uma estudante e modelo chamada Valentine, interpretada por Irène Jacob. Em uma noite, ao se distrair trocando as estações de rádio de seu carro, Valentine acaba atropelando uma cadela. Através da coleira ela localiza seu dono e vai atrás dele. É assim que a personagem acaba conhecendo um juiz aposentado, que demonstra muita apatia e infelicidade.

Depois, através de outro acaso, Valentine acaba indo de novo na casa desse juiz e descobre que ele ouve a conversa de seus vizinhos. A primeira reação dela é sentir asco, mas ao desenrolar a história, os dois se tornam amigos.

A Fraternidade é Vermelha (1994)

Kieslowski apresenta uma trilogia de cores na qual cada uma está relacionada a um estado de espírito. Sua proposta estética é nítida: em cada filme, direção de fotografia e de arte encarregam-se de tornar uma das três cores predominante em relação às outras. Apesar dos títulos em português, as cores não necessariamente relacionam-se com os valores revolucionários de 1789. Tomemos como exemplo o primeiro longa da trilogia, A Liberdade é Azul (1993). O título original seria traduzido ao pé da letra como “Três Cores: Azul”, o que nos dá outra dimensão do uso de cada cor. Neste filme, por exemplo, o azul nada tem a ver com liberdade. Pelo contrário, a escolha da cor possui a função de expressar tristeza, a agonia, a solidão; o estado de espírito da protagonista Julie.

Nos outros dois filmes, a mesma situação. O branco representa as situações inusitadas e não um sinal de paz, tranquilidade, igualdade, visto que o conflito nasce justamente da relação estranha, colocada em termos de desigualdade entre duas culturas; por sua vez, o vermelho expressa a tentativa e a suposta necessidade do ser humano de se relacionar socialmente. Nesta leitura, existe o conflito entre os três lemas da contemporaneidade: não há liberdade, igualdade e nem fraternidade.

Marcada por uma câmera inebriante e pelas performances memoráveis de atores como Juliette Binoche, Julie Delpy, Irène Jacob e Jean-Louis Trintignant, a Trilogia das Cores de Kieslowski é um marco do cinema contemporâneo.

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