o estigma da mão esquerda

Possivelmente uma das grandes conspirações veladas da História, o estigma do lado esquerdo do corpo é sustentado por crenças de todo o tipo. À direita do Deus Pai, como está na Bíblia, ficam as boas ovelhas. A supervalorização do destro somada a um fator real – a maioria das pessoas é mais hábil com a mão direita – estigmatizou os canhotos como pessoas no mínimo diferentes e esquisitas.

Até pouco tempo atrás, os canhotos eram castigados ou gentilmente forçados, de diversas formas, a trocarem de mão. O fato de alguém escrever com a “mão errada” podia ser interpretado de diversas formas, desde um grave sinal de insubordinação até evidência de dificuldades de aprendizado. Mas, felizmente, a medicina moderna e novas teorias pedagógicas deram as mãos para questionar essas noções: hoje em dia já se entende que um canhoto não tem nada de canhestro. Mudanças históricas e pensamentos mais progressivos deram às pessoas o direito de expressar o lado esquerdo e, por isso, nos últimos anos, o número conhecido de canhotos aumentou consideravelmente: hoje, estima-se que existem cerca de dez canhotos em cada cem pessoas de qualquer população.

Mas o que significa ser canhoto?! Bem, basicamente trata-se de viver em um mundo que não foi pensado para você. Saca-rolhas, torneiras, maçanetas – na ditadura destra, tudo que gira, gira para a direita. Aprender a lidar com as coisas usando a mão direita torna-se (quase) imperativo. Não que não existam iniciativas para abarcar o lado esquerdo: ainda em 1954, um fábrica finlandesa começou a fabricar tesouras para canhotos – com lâminas invertidas. No Brasil, a já extinta Associação Brasileira de Canhotos conquistou uma determinação – durante o governo de Paulo Maluf – de que ao menos 5% das carteiras nas escolas públicas sejam para canhotos, isto é, com a mesa de apoio no lado esquerdo.

“A (mão) direita é descolada, moderna e bacana!”

Existe um sem-número de passagens históricas ou curiosidades culturais que endossam a preferência pelo lado direito. Diz-se que isso surgiu com os primitivos habitantes do hemisfério Norte, adoradores do Sol. Por lá, o Sol parece mover-se para a direita, no sentido horário. Nesta mesma direção, os budistas fazem suas caminhadas para meditar, assim como os peregrinos que vão a Meca rezar para Alá circundam a construção onde está a pedra sagrada dos seguidores de Maomé. Os muçulmanos tem até um provérbio popular que afirma que Deus tem duas mãos direitas.

A própria Bíblia descreve a mão direita como a mão que “sabe dar”, já que a esquerda é a que recebe o sopro de vida de Deus. Para citar um exemplo ainda mais conhecido, no Antigo Testamento está escrito que Eva foi criada a partir da costela esquerda de Adão. Ora, se não são dois signos máximos do Outro, o não-normativo, o oposto?! Tanto pior: sua associação ao feminino – qualidade historicamente entendida como artífice do mal do mundo – legou ao lado esquerdo uma duradoura noção de algo relacionado ao pecado e à tentação.

“We accept you, one of us!” 

Durante a Idade Média, canhotos eram queimados pela Inquisição, que acreditava que eles eram praticantes de bruxarias, mensageiros da morte e enviados do Diabo.

Por correrem da esquerda pra direita, de modo geral as escritas alfabéticas favorecem os destros. Indo nessa direção, o canhoto cobre com a própria mão o que está escrevendo ou acaba torcendo o punho, segurando a caneta com a mão em forma de gancho. As exceções mais conhecidas são o hebraico e o árabe, escritos da direita para a esquerda.

A verdade é que ainda não podemos afirmar com total segurança o motivo que origina o preconceito em torno dos canhotos. Nem a ciência moderna conseguiu encontrar uma explicação para o fenômeno do canhotismo.

O fato é, esta assimetria histórica legou a eles seu dia internacional: 13 de agosto. O preconceito contra o lado esquerdo (do corpo) pode ter acabado, mas quem é gauche na vida ainda precisa se virar.

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